Apoteose de Rosseau
Jorge ANTUNES
- Data de estréia: 2014
- Data de composição: 2014
- Duração da execução da obra: 16 minutos
- Instrumentos presentes na obra: Piccolo, 2 flautas, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes, clarone, 2 fagotes, contrafagote, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tuba, tímpanos, percussão, harpa, piano, cordas
O conceito de harmonia remonta à Antiguidade clássica e possuía, naquela época, significados que abrangiam tanto a simultaneidade dos sons quanto a sua organização sucessiva, além de se referir a especulações relacionadas à harmonia entre alma e corpo, bem como ao equilíbrio dos corpos celestes. Esse entendimento permanece no século das luzes e está presente na obra de Jean-Philippe Rameau (1683-1764), que defendia a harmonia como legítima imitação da natureza e base para a construção musical, inclusive da melodia. Ao contrário de Rameau, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) defendia que a melodia era, sim, a verdadeira representante da natureza: afinal, os pássaros cantam melodias e não fazem harmonias. Além disso, os sentimentos humanos “somente” podiam ser expressos por meio de uma “bela” melodia.
Em seu poema sinfônico Apoteose de Rousseau, Jorge Antunes encena, justamente, uma disputa sonora entre melodia e harmonia. E toma o partido de Rousseau, logo pelo Iluminismo, mostrando de que lado está. Nessa direção, a magistral composição de Jorge Antunes inicia-se com uma melodia pungente que, desconstruída e reconstruída, funciona como um fio condutor para nossa memória auditiva. Assim, durante toda a obra podemos ouvir melodias diatônicas, cromatismos e contrapontos contrapostos e sobrepostos a clusters (aglomerados de notas), além de uma riqueza de timbres orquestrais. O poema oscila entre harmonias densas e sonoridades mais delicadas, conduzindo-nos a uma audição ora mais próxima a harmonias tonais, ora, atonais. Ao lado disso reconhecemos citações estilísticas barrocas, clássicas, românticas e uma melodia modal tradicional, combinados em uma composição atual, moderna e com grande força expressiva, finalizando com a melodia inicial.
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